Não demorou muito já estava no vagão, havia eu e mais duas pessoas, creio que uma delas dormia com a cabeça apoiada no vidro. Eu sentei e joguei minha bolsa no banco ao meu lado, fechei os olhos, suspirei e apoiei minha cabeça no apoio do banco.
De repente um tranco forte me empurrou para frente e eu segurei minha bolsa para que ela não caísse no chão, eu olhei para o lado e o homem que dormia antes, continuava dormindo agora, talvez ele estivesse sobre efeito de alguma coisa, era impossível ele não ter acordado. Só depois de alguns segundos percebi que estávamos parados, o metro havia parado; imediatamente o pânico me invadiu, eu me encolhi no canto abraçando a minha bolsa, rezava para que voltássemos a andar o mais rápido possível. Logo coisas horríveis começaram a se passar em minha cabeça.

A porta que divide os vagões se abriu lentamente e eu me encolhi mais e tentei manter a calma. Eram pensamentos sem o menor fundamento e completamente infantis e impossíveis, eu não sabia nem como controlar meus próprios pensamentos, eu devo estar realmente mal.
De lá saiu um homem, alto, de cabelos escuros e não muito curtos. Ele anda lentamente sem olhar para mim, vai até a porta e se apóia nela; com uma expressão séria ele olha para o chão, e descruza e cruza os braços várias vezes, como se estivesse intediado. Pelo o que parece ficaremos presos aqui por algum tempo, eu começo a me acalmar, mas logo penso no porque o maquinista não deu nenhum aviso pelo rádio do metro, ou porque ele não veio até nós, tento fechar minha mente, pensar vazio.
Eu cubro meu rosto com as mãos e me encolho mais, sem querer deixo um gemido de angustia escapar de meus lábios, eu olho para o homem parado na porta, ele parece sorrir, ou talvez - mais provávelmente - segurando uma risada.
Ele continua segurando a risada e olha para baixo antes de dar um impulso com o corpo e vir em minha direção.

- Posso me sentar aqui com você? ele diz apontando para o banco.
- Pode” eu respondo sem olha-lo.
- Você me parece um pouco assustada, não quer conversar? Talvez isso te distraia... - ele disse olhando para mim com cautela
Eu quase sorri enquanto olhava para o chão. Era muita bondade da parte dele se preocupar com alguém que não conhece, eu pessoalmente não faria o que ele estava fazendo, aliás, acho que 90% da população mundial não faria, já que hoje ninguém pensa em ninguém, só em si mesmo e nada mais.
- Obrigada por tentar. - eu olhei para ele sem sorrir - Mas eu creio que conversar só piore a situação, já que sem duvidas vai tocar no assunto “porque será que estamos parados?” e isso me perturbaria mais, se já me perturba os meus pensamentos imagina se juntar com os seus, que creio que são diferentes, ou seja, duas ideias girando em minha mente não é uma boa coisa no momento.
Ele me olhou com uma sobrancelha levantada: - Bom, na verdade eu ia perguntar o porque está no metro esse hora da noite, e espero que não me ache indelicado.
- Estou voltando da biblioteca, perdi a hora enquanto fazia algumas pesquisas, não sou muito adepta da tecnologia, acho Internet um atraso intelectual, sem falar que livros são bem mais confiáveis. - eu respondi rápido e depois dei uma pausa
Essa não era eu, eu não dava papo assim tão facilmente para um estranho, mas eu me sentia a vontade perto daquele estranho; eu poderia cortar a conversa, mas ela estava realmente me fazendo bem, por um minuto esqueci das ideias em minha mente que antes me atormentavam.
- Hmm, muito interessante. - ele me analisou por um segundo - Você me é familiar, eu não me lembro exatamente de onde a conheço, eu posso estar enganado, mas é como se lhe conhecesse a muito tempo. Sinto muito se isso parece uma cantada, mas não é. - ele sorriu envergonhado - Não que eu não te cantaria! Mas é que não quero dar essa impressão tosca... Ér.
Eu ri baixo e brevemente. Eu o olhei diretamente nos olhos pela primeira vez, e percebi que eu também tinha aquela sensação, talvez por isso que me sentia tão a vontade em contar sobre mim, havia alguma coisa ali, uma ligação.
De repente, com um novo tranco, o metro começou a andar novamente e eu soltei um suspiro de alivio involuntário. Ele me olhou e sorrio docemente, como se se sentisse aliviado por mim. Eu olhei para o chão e novamente para ele.
- Não interpretei como uma cantada, já que sinto que lhe conheço de algum lugar também, é estranho, por não me recordo de nada a seu respeito.
- Também não me recordo, mas é algo muito forte. - ele desviou o olhar - Enfim, está é minha estação, preciso ir, minha avó deve estar preocupada, estou hospedado na casa dela, e ela disse que se eu não chegasse até as 2:30 ela chamaria a policia, - ele riu baixo
- Oh, - eu ri brevemente - Tenha uma boa noite.
clichê para qualquer uma, acho que pareceria para mim mesma se eu não me sentisse tão intima daquele estranho. Eu sorri um pouco envergonhada. Ele deu um passo para trás e sorriu mais.
- Espero um dia poder revê-la. Tenha uma boa noite. - ele foi saindo do metro
Eu o vi partir e a porta se fechar rapidamente. Um aperto no coração, estranho, eu não deveria sentir aquilo, mas não pude controlar. Foi pouco tempo, e eu demorei a entender que deveria aproveita-lo, e agora eu lamento por isso. Espero realmente que possamos nos ver novamente, logo.



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