sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Eu não via nada, não enxergava o que estava a minha volta. Estava de olhos vendados, mas sabia que era dia, pois os raios de sol entravam por de baixo  do pano preto que me impedia de ver, deixando minha visão alaranjada. Ele andava perto de mim, eu escutava o barulho da grama amassando quando ele pisava, e eu podia sentir sua energia perto de mim.
Eu me sentia um pouco insegura por não poder ver onde eu estava, mas tinha que ter confiança. Em um movimento  repentino ele segurou uma de minhas mãos e deu um impulso para que eu andasse, eu segui seus passos no escuro, confiando que ele me guiaria para que eu não me machucasse.
Ele parou e sem dizer uma palavra se quer ele passou um de seus dedos sobre meu rosto, fazendo um contorno pela lateral, depois sobre meus lábios e em seguida suspirou. Eu pude sentir a respiração perto do meu rosto, assim percebendo que ele estava perto de mais.
Involuntariamente eu dei um passo para trás e pude sentir que ele sorriu, consegui ouvir o leve som de seus lábios se abrindo, seguido de um shiado divertido. Ele deu um passo para frente e pude senti-lo perto novamente, dessa vez fiquei parada. 
Com um toque suave ele segurou minha mão e ergueu o meu braço, repousando a minha mão em seu rosto, como quem dissesse: Vamos! Agora é a sua vez. Eu não sabia se devia me arriscar a senti-lo, mas talvez pudesse parecer indelicado da minha parte.
Passei minha mão sobre a maça de seu rosto, depois um dedo em seu lábio inferior, elevei a minha mão até o seu cabelo, eles eram lisos e não muito curtos, eu tirei minha mão e grudei ao lado do meu corpo novamente. Respirei fundo, não queria sorrir, mas nesse momento era inevitável.
Ele segurou minhas duas mãos, entrelaçou nossos dedos e eu sentia que ele estava sorrindo. Eu queria tirar aquela venda e olhá-lo, ou pelo menos ver a forma como ele me olhava; eu tirei uma de minhas mãos das dele e fui em direção a venda que me cegava, mas ele foi mais rápido e segurou a minha mão novamente. Pude sentir que ele riu baixo, docemente.

Eu sorri em resposta e pude sentir que ele se aproximava mais, até chegar próximo o bastante para dizer algo em meus ouvidos: “ - Procurei você por tanto tempo, agora que eu achei não vou te perder.” Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele me abraçou forte, mais forte do que qualquer abraço que já havia recebido, percebi que não precisava falar, agora eu só precisava sentir e enxergar.

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