segunda-feira, 6 de setembro de 2010

"Ano 3000, a raça humana luta contra si mesma. Regride anos de racionalidade e volta a lutar com as próprias mãos em busca de sobrevivencia. A escuridão toma conta, nenhuma tecnologia resiste ao tempo e agora seguem uma nova filosofia: Os mais fortes sobrevivem."

 Seus olhos eram vazios, sem brilho ou expressão alguma. Ele olhava fixamente para a parede atrás de mim, com a cabeça levemente inclinada para o lado e com um sorriso meio torto no rosto. Eu retribuía o olhar, talvez por medo de que se o perdesse aconteceria alguma coisa comigo, nada ali estava normal, absolutamente nada.
De repente ele deu um passo para a frente, lentamente, ainda com o olhar fixo e a cabeça inclinada; seus passos foram aumentando de intensidade, fazendo o chão de madeira antiga ranger. Em um impulso automático dou um passo para trás, ele para e inclina a cabeça para o outro lado, como quem me analisa.
Ele correu até mim e parou a centímetros do meu rosto, em uma ação imediata eu parei de respirar e irrigeci o meu corpo, tentando me mover o mínimo possível; ele pendeu a cabeça para o outro lado, a boca um pouco aberta, respirando devagar sem sorrir. Ele me analisava com os olhos bem abertos, como se eu fosse muito diferente dele.
Ele levanta uma mão e passa sobre o meu rosto, o sujando do sangue velho que resta em suas mãos, ele continua me analisando. Não diz nada, não demonstra nenhuma emoção, a não ser na curiosidade que agora surge em seus olhos, nada mais. Eu dou um passo para trás e automaticamente ele repete o meu movimento, eu levanto o meu braço direito e mais uma vez ele repete o movimento com pouco tempo de diferença.
Eu olho para o lado e vejo a aproximadamente três metes de distancia dos meus pés uma faca, eu olho novamente para ele que continua me analisando com curiosidade. Com receio fecho os olhos, implorando baixo para que ele também feche. Bem sucedida, abro os olhos e ele está lá parado de olhos fechados, eu corro sem pensar em direção a faca e me agacho no chão para pegá-la, a seguro forte com as duas mãos, e quando olho para frente ele está lá, novamente em minha frente.
Em um impulso sem pensar, levanto a faca no ar e o atinjo na região da barriga. Sua expressão muda e ele leva as duas mãos para o lugar de onde agora sai um sangue novo, ele me olha com uma expressão assustada, e leva uma de suas mãos as costas. Eu não pensei na lógica, ainda éramos humanos, regredidos, porém humanos. Estávamos usando basicamente a lei de ação e reação, eu fiz a ação e agora tinha que aguentar a reação.

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