A neve era gelada demais, muito mais do que o normal, talvez porque eu já estivesse fria muito antes de vir parar aqui ou simplesmente eu tinha sido fria minha vida toda.
Eu estava sozinha deitada na neve, quem sabe do dia mais frio da estação, e eu vestia só uma calça jeans, um suéter de lã e minhas botas de neve até um pouco a baixo do joelho. Eu estava tão calma, tão serena, parecia que estaca lá por livre e espontânea a vontade, talvez eu estivesse entrando em estado de hipotermia, resolvi aceitar meu próprio diagnóstico e continuar lá, calada.
A luz quente do sol me invade e eu quase suspiro ao me sentir levemente aquecida pelos raios finos que se escondem atrás das nuvens, eu me enterro mais na neve me debatendo um pouco, a neve cobre um de meus braços, um novo arrepio me invade e logo some deixando os pelos dos meus braços arrepiados.Eu estava sozinha deitada na neve, quem sabe do dia mais frio da estação, e eu vestia só uma calça jeans, um suéter de lã e minhas botas de neve até um pouco a baixo do joelho. Eu estava tão calma, tão serena, parecia que estaca lá por livre e espontânea a vontade, talvez eu estivesse entrando em estado de hipotermia, resolvi aceitar meu próprio diagnóstico e continuar lá, calada.
Distração. Penso na lista de compras que deixei sobre a mesa da cozinha ontem pela manhã: café, pão light, yogurt, espinafre e as barras de cereal que eu tanto gostava. Coisas que nunca serão compradas, muito menos consumidas.
Meus livros e DVDs, na estante de madeira antiga e corroída pelo tempo e a umidade da cabana. Todos em ordem alfabética, mas Adam insistia em desorganizá-los quase todos os dias. Lembrara-me do DVD que assistiríamos hoje à noite assim que ele chegasse da cidade, ele viria com um sorriso infantil no rosto e com uma pizza gigante nas mãos; adorávamos fazer isso, eram sempre assim, todas as sextas-feiras. O DVD voltaria para a estante, e nunca o assistiríamos.
Debati-me novamente na neve, fazendo com que ela cobrisse uma das minhas pernas; descobri que ficava inquieta quando não estava perdida em pensamentos. Um pouco de sombra, eu sorri em agradecimento ao sol, porque por mais fracos que fossem, agora eles incomodavam os meus olhos. Eu fechei os olhos tentando deixar que os pensamentos me invadissem novamente.
Analisava a situação com calma, da mesma maneira que analisava a borra de café no fundo da caneca todas as manhãs. Não era tão ruim pensando assim, era tudo até que ‘bom de mais’: a paisagem gelada, porém a mais bela que já tinha visto em todos esses meus longos anos de vida, os raios de sol me aqueciam o suficiente para que eu conseguisse pensar e esquecer o frio, e as luzes das estrelas logo apareceriam para que eu pudesse apreciar.
Não havia o que fazer, pelo menos enquanto eu estivesse sozinha. Eu me virei de lado como costumava fazer em minha cama, eu estava bem, mas um nó em minha garganta surgiu quando percebi que Adam não estava ao meu lado.
Eu estava leve, fui perdoada e paguei por todos os meus pecados, eu ficaria ali deitada até alguém me encontrar, talvez ninguém nunca me encontraria e eu me deixaria levar quando à hora chegar. Faltava uma parte de mim, meu coração, mas ele estava a salvo, estava com Adam e eu sabia que ele cuidará bem do meu coração, como sempre fez.
Deixei a escuridão contraditória do dia me puxar, talvez eu estivesse indo. Agoniada pela dor da saudade e da não despedida. Mas tomada pela alegria mansa que a paz eterna finalmente poderia me conceder.



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