Assim como nos típicos funerais. Regados de lágrimas, lamentos e o sentimento de perda que te corroe a cada troca de olhar, a cada toque no corpo cercado de flores amarelas, com as mãos cruzadas e repousadas na altura do peito, ali gelado e com uma aparência aparentemente tranqüila.
Assim como nos típicos funerais. A culpa ocupa o lugar, deixando-o cada vez mais sufocante, junto com o arrependimento que faz sua cabeça ficar pesada e o nó na sua garganta te sufocar, você quase pede para estar no lugar daquela alma que finalmente pode descançar em paz.
Mas diferente dos funerais não há alguém sorrindo, não há alguém calmamente cantarolando um canção alegre e dando leves passos de valsa simulando dançar com um outro alguém. Aquilo era completamente normal. Diferente dos funerais o corpo não está no chão, deitado sobre uma cama feita de sangue ainda quente. Seus olhos ainda estão abertos, mas seu coração junto com seus outros órgãos não funcionam mais. Ela de uma forma tão natural, mas não menos quase malígna deixou-o de olhos abertos, não podia ocultar nada.
Os cortes não eram tão profundos, mas a faca que usava era digna o bastante de fazer um estrago que a fizesse sorrir. Ela não sentiu repulsa do que fazia, ela não sentiu culpa, ela não sentiu o vazio, muito pelo contrário, depois de tantos meses finalmente ela se sentia completa. Afinal, aquilo não era um típico funeral.
O frio que sempre sentiu agora dava lugar ao calor do sangue quente de outro em sua pele, agora levemente avermelhada. Ela queria poder gritar, mas não queria chamar a atenção. Finalmente satisfeita, olhando para o corpo estirado no chão, com cortes no rosto e pescoço, ela sorrio friamente pela ultima vez. Ela se ajoelhou do lado do belo corpo que agora era frio e branco demais, se inclinou para olhado pela ultima vez nos olhos, mesmo sabendo que o olhar não seria retribuído, e sim mais uma vez ignorado.
Ela passou um de suas mãos sobre os olhos do belo rapaz, deu um leve beijo em seus lábios, fazendo com que pudesse sentir o gosto do sangue já antigo. Ela ficou mais próxima, até que pudesse sussurar algo no ouvido de sua maior alegria no momento. Ela suspirou, respirou fundo sentindo o pouco de perfume antigo que ainda lhe restava atrás da orelha, ela foi abrindo lentamente seus lábios, e da maneira mais calma, acompanhada de um sorriso de vitória, sussurra: - Se não será meu não será de outra. Ela se levanta, agora com uma expressão séria, suas sobrancelhas unidas e sua respiração afobada, enquanto ela evitava respirar. Ela o deixa lá, sozinho, como sempre achou que deveria ter ficado , para por um segundo, mas reluta em olhar para trás e segue seu caminho, afinal, não quer estar aqui quando os convidados do verdadeiro funeral chegarem.

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