Oh! Olha só, o batom está todo borrado! Eu poderia avisá-la, mas seria muita bondade da minha parte; eu apenas assistirei a tragédia que se iniciaria com o toque da primeira nota e o primeiro passo em direção ao altar. - “Bela cerimônia! ’’ disse a madrinha fingindo empolgação com um sorriso falso, mergulhado em inveja e ódio. - “sim, só lamento pelo noivo, mal sabe que sua amada é uma vadia. ’’
Oh! Olha só, pobre noivo. Ele sorri como uma criança quando ganha um brinquedo novo, eu poderia sentir dó, mas seria muita bondade da minha parte; eu apenas assistiria a tragédia que se iniciaria com toque da ultima nota e o ultimo passo em direção ao altar.
Ela caminha lentamente, solitária em direção ao seu suposto amado. Sorri como uma vadia drogada, e é tão estúpida que não repara que todos ali estão a observando com nojo, desprezos ou malicia. A um metro do altar, ela continua sorrindo, mas o pobre noivo tem uma nova expressão em seu rosto: uma mistura de nojo e tristeza.
Ela se aproxima, e ao envez de beijar-lhe a mão, ele lhe dá um tapa no rosto. Os sussurros e risadas ecoar livremente pela igreja enquanto o padre, chocado, se ajoelha e pede perdão pelo adultério da noiva. Pergunto-me quem pode ser; o melhor amigo ou o padrinho, não me admira se for o zelador. Oh! Estourem a champanhe! Isso está sendo mais divertido do que o imaginado.
Ele tira a flor que está no bolso de seu paletó, cospe com frieza, a joga no chão e pisa sobre a pobre rosa, que paga pelo mau caráter da noiva. Todos que assistem se sentam para ver o show, eu ainda espero pelo brinde dos noivos, mas é tarde demais, o noivo já se foi, e a noiva está aos prantos, de joelhos em frente ao altar, segurando seu rosto nas mãos.
“O caos está em suas mãos“, uma voz baixa sussurra em minha mente. Eu sorrio e me levanto, indo em direção a porta faço uma reverencia a imagem santa pendurada sobre a porta principal da igreja: “ - Perdoe meus pecados, amém”, digo saindo da igreja.

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