sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Não consigo segurar a minha respiração. Na xícara um pouco de chá que o vento que entra pela janela fez esfriar rapidamente enquanto pensava e me esquecia dele. Na TV pessoas que fingem ter alguma opinião, alienação e lavagem cerebral que eles preferem chamar de ‘propaganda’. No rádio uma bela melodia que me faz sorrir, mas talvez amanhã me faça chorar. 
Talvez fosse a hora de sair, mas cada vez mais isso me puxa para perto, eu tenho que ficar aqui, a não ser que queira perder tudo o que andei procurando há dias. Caindo de sono, caindo de algum lugar, caindo em uma gargalhada, caindo em lágrimas, ou simplesmente caindo. Doce melodia que me leva para fora de meus próprios pensamentos, é como se eu pudesse ouvir pensamentos alheios, aqueles pensamentos não podiam ser meus.
Doce melodia me fez sentir e ter fé. Ela era calma demais, mas me agitava de uma forma que nem o mais gritante ‘metal’ poderia conseguir, eu balançava a cabeça e um dos meus pés no ritmo devagar. Minha mente poderia viajar o mundo inteiro em um segundo, sem ao menos me mover, eu sentia que era capaz de fazer o que nunca pude. Doce melodia se cessou, procurei, mas não podia mais ouvi-la. Alguém a porta. Eu poderia ignorar, e sair para procurar a doce melodia, até que pude ouvi-la novamente. A porta se abre lentamente, sem que eu ao menos levante de onde estou e caminhe até lá, a porta se abre mais e mais, e a melodia vai ficando cada vez mais audível. Sentia-me mais poderosa do que qualquer pessoa do mundo, eu podia ver a doce melodia agora.
Doce melodia me olhava, nunca deixando de cantar, doce melodia podia me abraçar, doce melodia podia me ouvir também. Doce melodia se transformou em doce palavra, doce melodia se transformou em doce  sorriso. Doce melodia se transformou em meu doce vicio, meu doce vicio se transformou em meu doce amor. Ele era calmo, e nunca precisávamos de palavras, apenas de mais uma doce melodia.

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