sábado, 14 de agosto de 2010


O amor dizia que a felicidade nao existia se ele não existisse; a felicidade brigava, dizendo que podia existir sim sem o amor. O amor se sentiu ofendido, não aguentava a verdade de que não precisava existir para que a felicidade estivesse ali.
Ele saiu pelo mundo, viajando junto com grandes ventos; “como ousa dizer que não existo, a felicidade não sabe o que fala”; ele parou em um beco, onde um senhor, de barba por fazer, um olhar triste e olhos vermelhos falava sozinho:” Julieta, como pode me deixar, eu te amo tanto meu amor, quem me dera poder fazer o amor desaparecer!.” O amor parou para olhá-lo, ele nao parecia nem um pouco feliz, mas ele a amava tanto! Ele achou que o senhor no beco era uma mal agradecido, quem era ele para pedir que o amor vá embora! Andou mais um pouco, não muito a frente uma senhora, com um vestido longo e preto, um vel tampando seu rosto com rugas de idade, olhava pro céu e de mãos juntas dizia: “Meu Deus, como pude amá-lo? Nunca fui feliz ao lado dele”,
O amor se sentia cada vez mais fraco, sentou-se na calçada. Olhando para seus pés pensou: “ a felicidade tinha razão. Mas como pode, o amor que sentiam apenas afastou a felicidade,” ele não entendeu, eles amavam, mas nao eram felizes, o que sentiam então?
Pessoas são estranhas, como podem ter um amor, um amor que pode amá-las para o resto de suas vidas e disperdisá-los por dinheiro, fama ou status; pessoas são estranhas, abrem mão da felicidade para morarem em casas enormes com carros gigantes na garagem.
“Mas o homem que viu no beco nao era rico, nao tinha uma casa, um carro, ele só tinha uma ferida” - disse o amor; “ferida de AMOR,” - disse a felicidade. “Os ingratos são assassinos de felicidade, matam a felicidade e fazem o amor parecer o vilão da historia”; A ingratidão, rondava a conversa dos dois a algum tempo: “não sou assassina! Sou a manifestação do amor não correspondido, e simplesmente a evolução da felicidade comprada”, o amor e a felicidade se entreolharam, pensando no que a ingratidão havia dito, depois de muita reflexão a felicidade disse: felicidade comprada? Você quer dizer uma felicidade comprada com interesse? A felicidade criada para tentar corresponder o sentimento não correspondido?” a ingratidão fez que sim com a cabeça: “ eu não sou nada mais que a felicidade falsa e o amor não correspondido; sou fortalecida pelos egoistas que amam por dinheiro, pelos falsos que amam por interesse, pelos mesquinhos que amam para que outros não possam amar quem desejam, e pelos verdadeiros felizes que nunca agradecem a aqueles que os fazem feliz; sou o reflexo de meia humanidade,”
Amor e felicidade chegaram a conclusão de que não poderiam existir sem o outro, mas estavam ocupados demais tentando ver quem era melhor e se esqueçeram de agradeçer um ao outro por fazer com que existissem. A ingratidão chegou a conclusão de que muito mais visivel que o amor e a felicidade, é a ingratidão por seus próprios, lindos e verdadeiros sentimentos. A ferida feita pela ingratidão de sua amada.

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