sábado, 14 de agosto de 2010

~ Era uma noite fria lá fora,


nublada e o vento estava úmido. Ela estava sozinha, usando seu velho suéter azul claro que ganhara de sua avó há alguns anos atrás no natal. A lareira estava com pouca lenha, mas quente o suficiente para aquecer o pequeno cômodo em que ela estava sentada no chão, apoiando as costas na parede gelada e com uma taça meio cheia de vinho na mão.
Ela cantarolava uma canção lenta, sua voz baixa, prejudicada pela garganta seca, mas o pequeno incomodou não a impediu de continuar sua bela canção. Ela suspirou, e bebeu mais um gole, deixando uma mancha perfeitamente desenhada de batom vermelho na borda da taça. A campainha toca e lentamente ela se levanta do chão, deixando a taça sobre a mesinha de centro. Vai até a porta com passos lentos e curtos, já que não esperava alguém essa noite; não perde tempo olhando no olho mágico, não poderia ser ninguém tão importante que a fizesse se preocupar com suas vestes simples.
Ela abre a porta lentamente, não está ansiosa em ver quem vai receber, apenas abre por educação. Olha lentamente para cima, e vê alguém sorrindo. Automaticamente ela abre um leve sorriso e sem que diga nada o visitante entra e fecha a porta a suas costas. Ela segura a mão de seu visitante e o guia até o cômodo quente, aquecido pela lareira, no fundo da pequena casa; eles andam em silêncio, mas o sorriso não lhes some do rosto.
Ele para próximo a lareira e a guia para que fique a sua frente, seus olhares não fogem um do outro, não mais. Ele repousa uma mão no rosto delicado da anfitriã, seus dedos acariciam as maças rosadas do rosto dela. Nem uma palavra precisa ser dita, eles são capazes de se comunicar por simples olhares. Agora é a vez dela, ela levanta lentamente seu braço e passa um dedo delicadamente sobre os lábios do visitante, trazendo um sorriso como conseqüência. 
Num movimento urgente e rápido ele a abraça, a ação não a assusta já que ela lhe disse sim com olhar e dois sorrisos, esse era o sinal. Ambos de olhos fechados, em silêncio, tão quietos que suas respirações eram audíveis. Ela lentamente abriu seus lábios e ele a impediu de continuar com um chiado. Ela suspirou e o abraçou novamente. Ele acariciava os ombros da anfitriã, tão calma e delicadamente que ela quase não podia sentir.
Finalmente se afastaram nunca deixando o sorriso e o brilho no olhar sumir; se olharam sem expressar ou dizer nada por um longo tempo. Ele se inclinou e lhe deu um beijo suave e demorado na bochecha, segurou suas duas mãos e suavemente, num tom baixo, que só ela podia escutar, disse: " - Obrigado porque me mostrar a pureza do amor. ’’ Ela sorriu mais, e nesse mesmo tom o respondeu: "- Obrigada por me mostrar o significado de amar.  ''

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