Eu a seguro com as pontas dos dedos das duas mãos, respirando pausadamente como se aquele pequeno e bem feito envelope fosse o olhar de alguém sobre o meu; coloco meu dedo indicador sob o pequeno adesivo que fecha o envelope com delicadeza e perfeição, eu começo a descolar e ele se solta facilmente, fazendo a ponta do envelope aberta balançar. Com a ponta de quatro dedos eu puxo um papel, cor azul bebe, pequeno, dobrado ao meio. Eu o seguro enquanto deposito o envelope já violado na mesa; a pequena folha é tão áspera quanto o envelope, pelo menos em minhas mãos, como se viesse mergulhada em milhões de pequenas lixas cor de creme novamente.
Em um movimento rápido e preciso abro a folha, escrita sem parágrafos, em um paredão de palavras que em breve encheriam minha mente; a mesma letra do envelope, agora eu podia analisar melhor: uma bela ortografia, antiga, rústica, porém igualmente delicada.
Eu foco meus olhos nas primeiras palavras, meu nome completo, começado por letra minúscula, continuo a ler, sem me importar com qualquer erro ortográfico:
“Como provar, como conseguir, como entender? Creio que palavras, escritas ou ditas, são pouco, não é o necessário; símbolos, cometas ou uma doce melodia. Uma estrela cadente poderia passar por mim, para que eu fizesse o mais simples dos pedidos: sorrisos.
Outra noite eu sonhei com alguns. Uns mais tímidos, outros mais abertos, um simples e um que me pergunto como é possível. Veja, ou melhor, sinta. Eu queria lhe provar apenas uma coisa, eu não preciso de respostas ou um de seus melhores argumentos, só gostaria de lhe provar que ainda não tenho o que existe de mais valioso, aqui, no meu mundo. Será que preciso realmente lhe provar para que eu ganhe minha recompensa eterna? Ele viverá aqui, em minha mente, para o resto dos tempo, enquanto eu respirar, enquanto eu enxergar, enquanto eu puder imaginar. Quanto tempo devo esperar, quantas horas perderei imaginando, como será um sorriso seu?’’
Eu dobro o papel novamente, como ele estava, o coloco dentro do envelope creme e selo com o adesivo que o prendia. Um minuto para assimilar. Um segundo para perceber. Uma vida para entender. Quem me dera saber onde está, queria poder lhe contar. Pego um papel, pequeno pedaço de uma folha branca, com minha grafia redonda e aveludada eu escrevo:
“Quanto tempo devo esperar, quantas horas perderei imaginando, como será que reagiria ao saber que todos os meus sorriso são por saber que você existe, e está em algum lugar, apenas me esperando”

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