Era mais uma manha calma, Sábado e ela vestia apenas um suéter fino, o cabelo solto, voando e dançando junto com o vento, ela caminhava pela varanda, como fazia todas as manhas, respirando o ar fresco que acaba de ser filtrado pelas lindas e enormes arvores que cercam toda a casa. Era típico, andar até a grande ponte que juntava os dois lados do lago Riley, lentamente andando, com os braços cruzados aproveitando a brisa gelada do dia ainda sem sol.
A ponte de pedra está a alguns passos de distancia e ela diminui o ritmo dos passos. É uma ponte antiga e muito bonita, larga, feita de pedra cor de creme lixada, fria e úmida. Finalmente um de seus pés toca o chão da ponte, ela dando um pouco mais de impulso conforme a ponte se inclina levemente; logo ela chega ao local onde fica todos os dias, o meio da ponte, exatamente o meio da ponte, ela apóia os braços na pedra fria e fica apreciando o dia, até que o sol saia de trás das nuvens e a faça suar.
Respira, inspira, respira, inspira.
Ela olha para sua direita, e vê que lá, distante, no inicio do outro lado do lago alguém vem em sua direção, ela olhou para frente novamente e continuou a admirar o dia que começava a crescer. Passa uma de suas mãos pelo cabelo para que eles desgrudassem do suéter, com os olhos tranqüilos, fixava sua visão ao horizonte, distante.
- Uma bela manhã, não? - uma voz grave soa baixo ao seu lado
Seu coração dispara e ela se assusta, talvez estivesse tão perdida com a vista e seus pensamentos que não vira que a pessoa que caminhava sobre a ponte já estava ao seu lado.
- Sim, uma bela manha. - ela diz tentando disfarçar o susto, sem olhá-lo, nunca se desprendendo do horizonte
Eles ficam calados por um longo tempo, ela não se incomodou com a presença do homem ao seu lado, principalmente se ele continuasse em silêncio como faz agora. As nuvens cada vez mais distantes, e os primeiros raios de sol que escapam das nuvens começam a tocar a água, fazendo com que ela brilhe.
- Percebe como a água não seria tão fascinante sem o sol e que ele não seria tão agradável sem água? É como se fossem amantes, tão distantes, porém se completam da melhor forma possível. - ela diz em um tom sereno, como se falasse para si mesma
- Confesso que já pensei sobre isso, mas não fui capaz de colocar em palavras. - ele disse no mesmo tom, sem olhá-la
Ela suspirou mais uma vez, ficando em silencio. Os primeiros raios de sol chegam até ela, dominando seu braço direito e um lado de seu rosto, em um mínimo movimento ela tira seu suéter e o coloca debaixo de seus braços, segurando para que por acidente ele não caia no lago.
Ela respira fundo pela ultima vez, sorri satisfeita por mais um começo de manha agradável, ela se vira, sem olhar para o homem ao seu lado, acidentalmente seu suéter cai no chão, e antes que ela possa abaixar-se para pegar, o homem o pega.
- Obrigada. - ela disse pegando o suéter sem olhá-lo
- Não se preocupe velha amiga. - ele desse em um tom neutro
O ouvi-lo falar ela olha para cima, na expectativa de olhá-lo. Um segundo é o bastante, ela se levanta completamente e fica reta, imóvel, seus lábios levemente abertos, o homem a sua frente retira o capuz e sorri. Ela o olha ainda sem reação, seus olhos o analisam e sua cabeça é tomada por um flashback rápido demais: “foi há muito tempo, quatro anos talvez, como é possível? Não é real, não pode ser, faz tempo demais.” tudo seguido de um sorriso largo.
- Velho amigo. - ela disse respirando rapidamente
- Quantos anos, não? Mas eu sabia que nos encontraríamos em um lugar melhor, onde o sol poderia nos iluminar, onde poderíamos respirar, onde eu podia ver o quando você é bela e o quanto sentia sua falta nesses quatro anos. - ele falava rápido porem calmamente
- Desde aquela noite no metro. - ela sorriu


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