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Vozes do Escuro,
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Diz ele apontando para a imensidão azul a sua frente.
- Eu não vejo nada. - Ela forçando os olhos na tentativa de conseguir ver.
- Olhe melhor. - Ele diz fechando os olhos - Eu posso ver.
- Mas está com os olhos fechados. - Ela diz sem entender.
- Experimente.
Logo fecha os olhos, a brisa do vento passa por eles serena, fazendo seus cabelos balançarem, junto com suas roupas leves e frescas. Logo uma onda de calor invade sua mão, ela sente outra mão quente sobre a sua; aperta mais os olhos mentalizando o que ele podia ver e ela ainda era incapaz. Ele aperta a mão da garota, agora com as duas mãos, e canta aos sussurros, tão baixo que apenas eles são capazes de escutar; é uma melodia suave e encantadora, de olhos fechados ela começa a movimentar a cabeça no ritmo da melodia.
- Agora pode ver? - Ele pergunta sorrindo
- Não.
- Como não? Está tão claro.
- Posso sentir.
Ele sorri, deixando o silêncio tomar o circulo de energia que os consome por igual. Logo ela abre os olhos, e ele por impulso abre seus olhos também.
- Posso saber o que vê? - ela pergunta de imediato
- A imensidão.
- Ah, - ela diz com um toque de desapontamento em sua voz - Claro, eu posso ver.
- Pode? - ele pergunta intrigado.
- Claro, o mar e o céu.
- Bobinha. - ele sorri suavemente - Mas você tem razão, o mar e o céu são bem grandes, mas eu não tinha reparado.
- Como não? - Pergunta curiosa.
- Não quando coloquei do lado do meu amor por você.
sábado, 20 de novembro de 2010
Um dia ela andava por ai, distraída, sem um rumo certo, se sentindo flutuar, mas não por estar bem e sim por se sentir morta, morta por dentro. Seus passos lentos, quase arrastados, e a cada toque ao chão era um grito interno por socorro, seus braços acompanhando o movimento largado de seu corpo, para frente, para trás, como se não tivesse controle de seus próprios movimentos.
Por um segundo passa por sua cabeça a idéia de correr, mas logo cai em desavença com seus próprios pensamentos: que ousadia, correr. - pensa, fazendo sua própria voz ecoar em sua mente vazia, contraditoriamente cheia de lembranças. Ela não precisa chorar, pelo menos está consciente de que isso só faria as coisas piorarem, os cantos de sua boca começam a levantar lentamente, com muita dificuldade e relutância, ela parece serena se levarmos em consideração sua tentativa esforçada de sorrir, mas seus olhos não podem nos enganar.
Vazios, sem vida ou brilho algum. Eram como duas perolas negras, sujas e gastas pelo tempo e pela falta de cuidado, ambas mergulhadas em um mar negro, escuro como uma noite de inverno, sem uma estrela se quer para guiar quem tanto precisa. Tropeçando, caindo, errando, tudo por causa de lembranças que permanecerão imortais, como deveria ter sido.
Logo algo distante ilumina suas duas pequenas perolas negras, não era algo desconhecido, era o brilho intenso e antigo que a seguiu por toda a vida, o brilho que a cegou quando ela não queria ver, o brilho que a guiou quando estava perdida no escuro, o brilho que iluminou suas idéias, seu brilho preferido.
Seus passos se apressaram, finalmente ela pôde sentir o vento que passava sem que ela percebesse, por estar perdida em lembranças de calor, calor tão intenso, forte e verdadeiro que a impedia de sentir qualquer outra coisa se não o calor que a invadia e a sufocava. Seus braços mais rápidos acompanham o movimento do corpo agora acelerado, seus cabelos se movimentam junto com suas vestes finas, ela pode ver.
Respirar. Era o que ela realmente precisa, precisava de espaço, qualquer brecha que tivesse seria o bastante, abstrair suas idéias e fechar os olhos, apertá-los, até que a pressão fosse grande o bastante para fazer com que as lembranças explodissem.
Logo, exausta e completamente sufocada ela vem ao chão, senta sobre seus joelhos e leva suas mãos ao rosto. São quentes, tão quentes como o fogo que ainda queima dentro de si, são quentes como o calor que guarda, são quentes como lágrimas, límpidas e claras, que escorrem sem piedade alguma, mas que no fim, lavam e levam consigo a dor que a sufoca.
Meu brilho - ela diz tão baixo que nem seus próprios ouvidos cansados seriam capazes de ouvir, mas ele, ele sim a escuta, e como de costume a levanta do chão, a segura forte e ao mesmo tempo tão delicadamente que a pressão de seu toque é quase imperceptível. Ela levanta seu rosto com apenas um dedo, as duas perolas negras encaram duas pedras lindas e brilhantes, bem polidas, como um lindo colar de diamantes; o brilho se expande assim que ele deixa que seu sorriso apareça, e como a mais doce melodia foca as duas perolas e sussurra: eu sempre estive aqui, você só precisava enxergar.
Ela, hipnotizada pelo brilho intenso continua na tentativa, agora bem sucedida se sorrir, e como uma melodia baixa, calma demais, serena e aguda diz: prometa nunca deixar de brilhar, e principalmente prometa nunca mais deixar com que eu deixe de brilhar.
Por um segundo passa por sua cabeça a idéia de correr, mas logo cai em desavença com seus próprios pensamentos: que ousadia, correr. - pensa, fazendo sua própria voz ecoar em sua mente vazia, contraditoriamente cheia de lembranças. Ela não precisa chorar, pelo menos está consciente de que isso só faria as coisas piorarem, os cantos de sua boca começam a levantar lentamente, com muita dificuldade e relutância, ela parece serena se levarmos em consideração sua tentativa esforçada de sorrir, mas seus olhos não podem nos enganar.
Vazios, sem vida ou brilho algum. Eram como duas perolas negras, sujas e gastas pelo tempo e pela falta de cuidado, ambas mergulhadas em um mar negro, escuro como uma noite de inverno, sem uma estrela se quer para guiar quem tanto precisa. Tropeçando, caindo, errando, tudo por causa de lembranças que permanecerão imortais, como deveria ter sido.
Logo algo distante ilumina suas duas pequenas perolas negras, não era algo desconhecido, era o brilho intenso e antigo que a seguiu por toda a vida, o brilho que a cegou quando ela não queria ver, o brilho que a guiou quando estava perdida no escuro, o brilho que iluminou suas idéias, seu brilho preferido.
Seus passos se apressaram, finalmente ela pôde sentir o vento que passava sem que ela percebesse, por estar perdida em lembranças de calor, calor tão intenso, forte e verdadeiro que a impedia de sentir qualquer outra coisa se não o calor que a invadia e a sufocava. Seus braços mais rápidos acompanham o movimento do corpo agora acelerado, seus cabelos se movimentam junto com suas vestes finas, ela pode ver.
Respirar. Era o que ela realmente precisa, precisava de espaço, qualquer brecha que tivesse seria o bastante, abstrair suas idéias e fechar os olhos, apertá-los, até que a pressão fosse grande o bastante para fazer com que as lembranças explodissem.
Logo, exausta e completamente sufocada ela vem ao chão, senta sobre seus joelhos e leva suas mãos ao rosto. São quentes, tão quentes como o fogo que ainda queima dentro de si, são quentes como o calor que guarda, são quentes como lágrimas, límpidas e claras, que escorrem sem piedade alguma, mas que no fim, lavam e levam consigo a dor que a sufoca.
Meu brilho - ela diz tão baixo que nem seus próprios ouvidos cansados seriam capazes de ouvir, mas ele, ele sim a escuta, e como de costume a levanta do chão, a segura forte e ao mesmo tempo tão delicadamente que a pressão de seu toque é quase imperceptível. Ela levanta seu rosto com apenas um dedo, as duas perolas negras encaram duas pedras lindas e brilhantes, bem polidas, como um lindo colar de diamantes; o brilho se expande assim que ele deixa que seu sorriso apareça, e como a mais doce melodia foca as duas perolas e sussurra: eu sempre estive aqui, você só precisava enxergar.
Ela, hipnotizada pelo brilho intenso continua na tentativa, agora bem sucedida se sorrir, e como uma melodia baixa, calma demais, serena e aguda diz: prometa nunca deixar de brilhar, e principalmente prometa nunca mais deixar com que eu deixe de brilhar.
domingo, 31 de outubro de 2010
Seu vestido era tão lindo, era o vestido dos sonhos. Seus cabelos lisos com leves e grandes cachos nas pontas, seus olhos pintados de lilás e glitter iluminavam seu rosto jovem demais para sua idade. Era uma criança, uma criança esperando que alguém a convidasse para dançar, a noite toda, a fazendo esquecer que em algumas horas todo esse sonho se dissolveria em um mar de neblina densa novamente.
Andando lentamente com seus sapatos altos demais, segurando o vestido com as duas mãos para não tropeçar, olhos fixos no chão escondendo seu rosto tão bonito e seus olhos que no fundo cintilavam junto com as luzes dançantes do salão. Segue com passos firmes ao canto do salão, aonde as luzes não chegam, apenas seus reflexos; ela se encosta-se à parede, com o olhar ainda baixo e mexe sua cabeça no ritmo da musica lenta que embala os que dançam no centro da pista.
Sua mão direita se levanta sozinha, sem que ela perceba, e sente as pontas de seus dedos se gelarem. Seu olhar se eleva, e é tomado por um sorriso tão claro quanto às luzes do salão, imediatamente é consumida pelo próprio sorriso. É puxada para frente lentamente, ela segue seus passos ao centro da pista, todos olham o movimento, mas agora é como se ninguém mais existisse, apenas ela e aquele que a salvou. Uma mão em seu ombro, a outra mão junta com a de seu par.
- Eu lhe procurei a noite toda.
- Eu te esperei a noite toda. - diz.
Agora eles poderão dançar a noite toda, até que aquele belo vestido seja tomado por um macacão jeans, seu cabelo tomado por uma fita vermelha e seus olhos sejam apagados por fios de cabelos desordenados. Até que seu paletó se torne uma camisa igualmente por dentro da causa, seu lindo sorriso tomado por um aro metálico brilhante e seus olhos ofuscados por lentes sujas. Ou podem parar o tempo, mas nada mais importa agora que finalmente se encontraram.
Andando lentamente com seus sapatos altos demais, segurando o vestido com as duas mãos para não tropeçar, olhos fixos no chão escondendo seu rosto tão bonito e seus olhos que no fundo cintilavam junto com as luzes dançantes do salão. Segue com passos firmes ao canto do salão, aonde as luzes não chegam, apenas seus reflexos; ela se encosta-se à parede, com o olhar ainda baixo e mexe sua cabeça no ritmo da musica lenta que embala os que dançam no centro da pista.
Sua mão direita se levanta sozinha, sem que ela perceba, e sente as pontas de seus dedos se gelarem. Seu olhar se eleva, e é tomado por um sorriso tão claro quanto às luzes do salão, imediatamente é consumida pelo próprio sorriso. É puxada para frente lentamente, ela segue seus passos ao centro da pista, todos olham o movimento, mas agora é como se ninguém mais existisse, apenas ela e aquele que a salvou. Uma mão em seu ombro, a outra mão junta com a de seu par.
- Eu lhe procurei a noite toda.
- Eu te esperei a noite toda. - diz.
Agora eles poderão dançar a noite toda, até que aquele belo vestido seja tomado por um macacão jeans, seu cabelo tomado por uma fita vermelha e seus olhos sejam apagados por fios de cabelos desordenados. Até que seu paletó se torne uma camisa igualmente por dentro da causa, seu lindo sorriso tomado por um aro metálico brilhante e seus olhos ofuscados por lentes sujas. Ou podem parar o tempo, mas nada mais importa agora que finalmente se encontraram.
domingo, 24 de outubro de 2010
Foi o abraço mais apertado que já recebeu, o mais longo, o mais aconchegante, o mais quente, o melhor. Não havia espaço algum entre os dois, eram como se fossem um só, olhos fechados, respirações lentas, braços entrelaçados cada vez mais apertados. Silêncio, respirações rápidas agora, sem movimentos ou pensamentos, apenas a sensação de finalmente estar completos. Um giro ainda unidos, sentimentos iguais, pensamentos iguais, partes diferentes agora unidas.
Sem abrir os olhos, ele abre os lábios lentamente e respira entre os cabelos escuros de sua outra parte completa; palavras tão baixas que só ela é capaz de entender, lentas e suaves como um sussurro: - Finalmente.
Ela não expressa nada, mas sente a energia passando das pontas de seus pés até seus ultimo fio de cabelo, enquanto os lábios dele se fecham, os dela se abrem lentamente invadidos por um sorrio, olhos ainda fechados, ela pode ouvir seu coração pulsar, está bem perto. Logo vem o sussurro: - Completos.
Sem abrir os olhos, ele abre os lábios lentamente e respira entre os cabelos escuros de sua outra parte completa; palavras tão baixas que só ela é capaz de entender, lentas e suaves como um sussurro: - Finalmente.
Ela não expressa nada, mas sente a energia passando das pontas de seus pés até seus ultimo fio de cabelo, enquanto os lábios dele se fecham, os dela se abrem lentamente invadidos por um sorrio, olhos ainda fechados, ela pode ouvir seu coração pulsar, está bem perto. Logo vem o sussurro: - Completos.
Onde está o amor da sua vida?
Ele pode estar bem perto, ao seu lado, sorrindo para você todos os dias e te fazendo sorrir. Ele pode estar distante, tão distante que se limita ao mais simples e puro amor, a amizade. Ele pode estar longe, mas não por ironia do malvado destino, ele pode estar longe porque o deixou passar, não percebeu o quanto ele era importante, não enxergou o quanto ele precisa de você, assim como você precisava dele.
Talvez você nunca conhecerá o amor da sua vida, não saberá seu nome, a cor de seus olhos, o som de sua voz; mas se contentará e aprenderá a amar alguém que te escolheu para cuidar para sempre. Tenho minhas opniões, minhas duvidas e meus questionamentos, talvez ele esteja bem aqui ao meu lado e eu só não fui capaz de percebe-lo, talvez ele esteja distante, distante demais para que eu possa toca-lo, assim tendo que me contentar com idéias, sonhos; creio que não o deixei passar e me pergunto e lamento precipitadamente se nunca puder conhece-lo.
Ele pode estar bem perto, ao seu lado, sorrindo para você todos os dias e te fazendo sorrir. Ele pode estar distante, tão distante que se limita ao mais simples e puro amor, a amizade. Ele pode estar longe, mas não por ironia do malvado destino, ele pode estar longe porque o deixou passar, não percebeu o quanto ele era importante, não enxergou o quanto ele precisa de você, assim como você precisava dele.
Talvez você nunca conhecerá o amor da sua vida, não saberá seu nome, a cor de seus olhos, o som de sua voz; mas se contentará e aprenderá a amar alguém que te escolheu para cuidar para sempre. Tenho minhas opniões, minhas duvidas e meus questionamentos, talvez ele esteja bem aqui ao meu lado e eu só não fui capaz de percebe-lo, talvez ele esteja distante, distante demais para que eu possa toca-lo, assim tendo que me contentar com idéias, sonhos; creio que não o deixei passar e me pergunto e lamento precipitadamente se nunca puder conhece-lo.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
Uma carta na entrada da porta, eu sorri. Papel áspero, cor de creme assinado com letras inclinadas, redondas e incertas, a caneta preta que me parecia ainda nova, uma cor forte, poderia confundir com algo impresso. Eu peguei, ela agora está sobre a mesa da cozinha, e eu sinto um frio na barriga, não há remetente, apenas está escrito: “Alguem que precisa lhe dizer algo’’.
Eu a seguro com as pontas dos dedos das duas mãos, respirando pausadamente como se aquele pequeno e bem feito envelope fosse o olhar de alguém sobre o meu; coloco meu dedo indicador sob o pequeno adesivo que fecha o envelope com delicadeza e perfeição, eu começo a descolar e ele se solta facilmente, fazendo a ponta do envelope aberta balançar. Com a ponta de quatro dedos eu puxo um papel, cor azul bebe, pequeno, dobrado ao meio. Eu o seguro enquanto deposito o envelope já violado na mesa; a pequena folha é tão áspera quanto o envelope, pelo menos em minhas mãos, como se viesse mergulhada em milhões de pequenas lixas cor de creme novamente.
Em um movimento rápido e preciso abro a folha, escrita sem parágrafos, em um paredão de palavras que em breve encheriam minha mente; a mesma letra do envelope, agora eu podia analisar melhor: uma bela ortografia, antiga, rústica, porém igualmente delicada.
Eu foco meus olhos nas primeiras palavras, meu nome completo, começado por letra minúscula, continuo a ler, sem me importar com qualquer erro ortográfico:
“Como provar, como conseguir, como entender? Creio que palavras, escritas ou ditas, são pouco, não é o necessário; símbolos, cometas ou uma doce melodia. Uma estrela cadente poderia passar por mim, para que eu fizesse o mais simples dos pedidos: sorrisos.
Outra noite eu sonhei com alguns. Uns mais tímidos, outros mais abertos, um simples e um que me pergunto como é possível. Veja, ou melhor, sinta. Eu queria lhe provar apenas uma coisa, eu não preciso de respostas ou um de seus melhores argumentos, só gostaria de lhe provar que ainda não tenho o que existe de mais valioso, aqui, no meu mundo. Será que preciso realmente lhe provar para que eu ganhe minha recompensa eterna? Ele viverá aqui, em minha mente, para o resto dos tempo, enquanto eu respirar, enquanto eu enxergar, enquanto eu puder imaginar. Quanto tempo devo esperar, quantas horas perderei imaginando, como será um sorriso seu?’’
Eu dobro o papel novamente, como ele estava, o coloco dentro do envelope creme e selo com o adesivo que o prendia. Um minuto para assimilar. Um segundo para perceber. Uma vida para entender. Quem me dera saber onde está, queria poder lhe contar. Pego um papel, pequeno pedaço de uma folha branca, com minha grafia redonda e aveludada eu escrevo:
Eu a seguro com as pontas dos dedos das duas mãos, respirando pausadamente como se aquele pequeno e bem feito envelope fosse o olhar de alguém sobre o meu; coloco meu dedo indicador sob o pequeno adesivo que fecha o envelope com delicadeza e perfeição, eu começo a descolar e ele se solta facilmente, fazendo a ponta do envelope aberta balançar. Com a ponta de quatro dedos eu puxo um papel, cor azul bebe, pequeno, dobrado ao meio. Eu o seguro enquanto deposito o envelope já violado na mesa; a pequena folha é tão áspera quanto o envelope, pelo menos em minhas mãos, como se viesse mergulhada em milhões de pequenas lixas cor de creme novamente.
Em um movimento rápido e preciso abro a folha, escrita sem parágrafos, em um paredão de palavras que em breve encheriam minha mente; a mesma letra do envelope, agora eu podia analisar melhor: uma bela ortografia, antiga, rústica, porém igualmente delicada.
Eu foco meus olhos nas primeiras palavras, meu nome completo, começado por letra minúscula, continuo a ler, sem me importar com qualquer erro ortográfico:
“Como provar, como conseguir, como entender? Creio que palavras, escritas ou ditas, são pouco, não é o necessário; símbolos, cometas ou uma doce melodia. Uma estrela cadente poderia passar por mim, para que eu fizesse o mais simples dos pedidos: sorrisos.
Outra noite eu sonhei com alguns. Uns mais tímidos, outros mais abertos, um simples e um que me pergunto como é possível. Veja, ou melhor, sinta. Eu queria lhe provar apenas uma coisa, eu não preciso de respostas ou um de seus melhores argumentos, só gostaria de lhe provar que ainda não tenho o que existe de mais valioso, aqui, no meu mundo. Será que preciso realmente lhe provar para que eu ganhe minha recompensa eterna? Ele viverá aqui, em minha mente, para o resto dos tempo, enquanto eu respirar, enquanto eu enxergar, enquanto eu puder imaginar. Quanto tempo devo esperar, quantas horas perderei imaginando, como será um sorriso seu?’’
Eu dobro o papel novamente, como ele estava, o coloco dentro do envelope creme e selo com o adesivo que o prendia. Um minuto para assimilar. Um segundo para perceber. Uma vida para entender. Quem me dera saber onde está, queria poder lhe contar. Pego um papel, pequeno pedaço de uma folha branca, com minha grafia redonda e aveludada eu escrevo:
“Quanto tempo devo esperar, quantas horas perderei imaginando, como será que reagiria ao saber que todos os meus sorriso são por saber que você existe, e está em algum lugar, apenas me esperando”
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